Bacia Iguaçu e Baía de Guanabara
Alguns Aspectos Passado e Futuro

A Bacia Iguaçu possui muitos testemunhos arqueológicos descobertos pela Secretaria de Cultura da Cidade de Nova Iguaçu e vários testemunhos fósseis descritos por autores que estudam a Baía de Guanabara. Estes testemunhos indicam uma complexa história de variações significativas do nível do mar, Sambaquis, guerras entre colonizadores, extermínios de Tupinambá, expulsão de franceses, questões escravocratas com o povo preto oriundo do continente Africano, estradas reais construídas pela Companhia de Jesus, construção de engenhos, café, açucar, laranja, com uso e ocupação predatórios do solo, transportes de mercadorias por barcos no Rio Iguaçu navegável, ferrovias instaladas pelo Imperador D. Pedro II, contaminação por agrotóxicos dos antigos laranjais e chegada da Rodovia Presidente Dutra que, somados, inspiraram uma imprudente saturação da infraestrutura urbana dentro desta bacia hidrográfica.

Rodrigo Coutinho Abuchacra, em seu trabalho de campo na Baía de Guanabara, detalhou a evolução do suprimento de sedimentos na Baía de Guanabara e, em 2015, publicou sua tese de doutorado na UFF. As amostras revelaram o acúmulo sedimentar durante as fases de avanço e regressão do mar, que ocorreram entre 9 e 5 mil anos AP. As relações entre as encostas das serras e a planície fluviomarinha da Baixada Fluminense (WebMap geomorfologia) regularam a taxa de sedimento transportada e a taxa acomodada (horizontais, verticais), que alteraram a linha de costa. A história sedimentar desta Baía está bem estudada desde Amador, 1997, Cleverson Guizan Silva e Andre Ferrara da UFF, Telma Mendes e outros (Veja Infográfico 1 abaixo).

Infográfico 1: Baía de Guanabara. Máxima regressão do mar no final da Era Glacial e o Paleorio Guanabara entre 22 e 18 mil anos AP. Adaptado de (Abuchacra, 2015)

Seco

Infográfico2: Máxima transgressão do mar (avanço) entre 6 e 5 mil anos AP, com o nível do mar entre 4 e 5 metros acima do atual. Adaptado de (Abuchacra, 2015)

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No final deste texto alguns mapas sobre camadas Geomorfológicos desta Bacia são apresentados. As Depressões Marginais e os Maciços Alcalinos Intrusivos (Serras Mendanha e Tinguá) apresentam relevos com coberturas constituídas por materiais inconsolidados (regolito), provenientes das alterações das rochas (elúvio) que formam depósitos (colúvio) de encostas e, consequentemente, das movimentações dos rios e drenos (fluviais), que os Geomorfólogos chamam de margens esculpidas por coberturas sedimentares elúvio-coluvial, explica Telma Mendes no livro Geomorfologia do Brasil. Isto é uma receita para deslizamentos de massa, inundações e erosões. Estes sedimentos abastecem por hipsodrenagem a Planície Fluviomarinha baixadense e desembocam na Baía de Guanabara. Esta Planície Fluviomarinha é aproximadamente no nível do mar da Baía de Guanabara. Por exemplo, a cidade de Belford Roxo possui uma altitude de apenas 5 metros. Esta planície é a porta de entrada das águas desta Baía, caso haja elevação do nível do mar nos próximos 30 anos, conforme os degelos acelerados do Polo Norte, Antártica e da Cordilheira dos Andes (Veja camadas de hipsometria e relevo no WebMap Interativo e o artigo sobre degelo na Antártica da Revista Nature de outubro de 2023, links no final).

A Geologia explica que quando miramos uma paissagem Natural ela pode possuir várias idades. As rochas, crosta terrestre, às vezes, estão visíveis por causa da desnudação em que solo e vegetação que estavam como coberturas por algum motivo do intemperismo (ventos, chuvas etc.), ou até por causa humana, escorregaram completamente. Estes suprimentos de sedimentos descem pelas encostas e preenchem as planícieis, ou vales, e navegam pelas drenagens subterrâneas e rios superficiais até baías e mares, de acordo com a inclinação entre as partes altas e o nível do mar.

No caso da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a crosta terrestre já estava mais ou menos preparada há 630 milhões de anos, na Era NeoProterozóica, o que os Geólogos chamam de Braziliano II Orógeno da Ribeira. Mas quando houve a quebra do grande continente Gondwana, há 230 milhões de anos, da Era Mesozoica no Período Triássico, a parte que conhecemos como Continente Sul Americano se separou do que hoje é o Continente Africano, e surgiu o Oceano Atlântico. O trecho da Baía de Guanabara, quando se quebrou do grande continente estava junto com o trecho do Congo, na África. Inclusive, o jovem Oceano Atlântico estava moldurando também a linha da costa.

Estes episódios contribuíram para o surgimento (moldagem da feição) das falhas normais com direção preferencial nordeste, que podem ser vistos no WebMap nas camadas de Hipsometria e Relevo superpostas, entre SP-RJ, chegando ao norte da Baía de Guanabara. Podem ser vista também nos mapas postados no final do texto. Estas soerguidas e depressões da crosta terrestre neste trecho foram as responsáveis por gerarem as bacias que compõem o Sudeste do Brasil, como a Bacia da Região Hidrográfica V do Rio de Janeiro, no Oeste da Baía de Guanabara, a Bacia Iguaçu. Além disso, esse processo supostamente contribuiu, também, para o soerguimento da Serra da Mantiqueira, com 3 km de altitude, e toda a estrutura de drenagens e as forças das suas águas. (Ver Infográfico abaixo).

Gondwana e Mantiqueira Ribeira

Paleo Baía de Guanabara
Paleo Baía de Guanabara

Brasil e Rifts do Sudeste

Paleo Baía de Guanabara
Paleo Baía de Guanabara

Infográfico Esquerdo: repare a separação do grande continente Gondwana e a formação da feição do Brasil. Direito: a Mantiqueira Ribeira (Baía de Guanabara) e o livro de 2015 organizado por Bianca Oliveira, Andre Salgado e Leonardo Santos, que reuniu autores importantes como Telma Mendes, Sant'Anna Neto e outros que explicam todo o processo destas formações. Adaptado pelo autor.

Pode-se observar nesses Infográficos, também, que associado com esta região do sudeste brasileiro estão os Rifts (fendas) da Era Cenozoica, dos Períodos Paleógeno e Neógeno, entre 66 Milhões de anos e 2,5 Milhões de anos (ver divisão atual das Eras Geológicas na tabela Cronoestratigráfica final), que caracteriza a Geologia entre São Paulo e Rio de Janeiro. Só de 2,5 Milhões de anos até hoje é que os Geólogos chamam de período Quaternário, que se iniciou com a formação dos Polos Norte e Sul (Antártica) e as últimas eras do gelo conhecidas. A cobertura sedimentar das planícies fluviomarinhas da Baixada Fluminense possuem esta idade. Isto também pode ser considerado como a evolução tectônica da Serra do Mar. Além disso, as coberturas de vegetação e solo por cima das velhas rochas, tanto das serras quanto dos vales, possuem milhares de anos e vão evoluindo de acordo com o impacto dos assentamentos humanos. De fato, todo o relevo terrestre é pavimentado em cima dos nossos ancestrais dos últimos 2 milhões de anos. É a evolução dinâmica da Geografia. Cada paisagem tem uma idade e uma característica geomorfológica climática que faz evoluir a forma da feição.

Entretanto, os Riftes, desde o Jurássico (200 Milhões de anos) e do Cretáceo (100 Milhões de anos), podem ser devidos ao que aconteceu com a separação da África da América do Sul, o surgimento do Oceano Atlântico, que provocou turbulências, vórtices e ondas que movimentaram toda a placa do nosso continente, causando tensão, compressão, cisalhamentos e rotação, pois esta placa/crosta navegou, com vulcanismos ativos, em cima do manto fluido terrestre, carregando oceano e dinossauros. A rotação da placa em torno de um eixo que passa pelo seu centro de massa provocou um estiramento da crosta nas zonas mais afastadas deste centro de rotação, que moldou a região mais a sudeste. A Física explica que as forças isostáticas/centrípetas da Mecânica dos Fluidos são maiores nesta região em relação à outras porque a geometria da placa mostra que esses pontos se localizam a uma distância maior do eixo de rotação da placa.

Portanto, a paisagem revela história em escalas temporal e espacial. Na escala temporal, esta tectônica das placas continentais pode ter mais de 100 milhões de anos. A Geológica, como a evolução de uma planície, pode ter milhares de anos. Na escala espacial, os processos evolutivos em espaço pequeno, por exemplo, algumas dezenas de quilômetros, podem ter algumas centenas de anos. Em espaço mais extensos como centenas de quilômetros os processos podem variar em escala temporal milenar.

Geologia da Sub-Bacia Iguaçu: Formação da captação das drenagens da Bacia Iguaçu. Parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro sombreada com os 7 municípios alcançados pela Sub-Bacia.

Seco

Geomorfologia da Sub-Bacia Iguaçu: Contribuição de Nova Iguaçu no suprimento de sedimentos da Baía de Guanabara.

Fábricas de (Bio) Sedimentos? Rochas Ígneas Intrusivas Alcalinas (Na2O e K2O), menor teor de sílica (feldspatóides), nefelina sienito. As características do latossolo roxo também são provenientes das desnudações destas rochas. Latossolo Roxo – Horizonte B, cor avermelhada, 18% de Fe2O3. Textura argilosa.

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Carta Estratigráfica

Infográfico Estratigráfico. Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS) é o maior e mais antigo órgão científico constituinte da União Internacional das Ciências Geológicas (IUGS).

Artigo sobre o degelo da Antártica na Revista Nature de 23 de outubro de 2023

Artigo sobre a relação entre a massa tecnológica gerada pelos seres humanos e a biomassa planetária